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CRISTO: O PODER DA MOTIVAÇÃO – PARTE I

 

Por Ernesto Berg

 

“Tende bom ânimo, eu venci o mundo.” João 16.33

Jesus foi enfático: “motivem-se, alegrem-se, eu superei as dificuldades e problemas deste mundo, desta dimensão. Eu venci as aparências e circunstâncias no mundo, por isso deixe que eu sirva de modelo para você. É só fazer igual.”

 

É uma frase motivadora e inspiradora saber que o Mestre dá a fórmula para superar as dificuldades do mundo: “Portanto vos digo: não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis.....Buscai antes o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” Mateus 6.25 e 33.

 

Portanto nada melhor do que buscar motivação e ânimo na dimensão superior, nas “regiões celestiais”, pois no plano em que estamos as coisas quase sempre tem aparência de dificuldades e obstáculos. O reino de Deus é o domínio do perfeito e do completo. É lá que as coisas acontecem, desde que sejam seguidas as regras estabelecidas.

 

Mas, o que é motivação? A própria palavra já se autodefine: motivo + ação, isto é, um motivo que leve a ação. Terá, entretanto, que ser um motivo forte, ou não haverá interesse nem empenho suficiente que leve a pessoa a agir. Ela deverá estar interessada em querer pagar o preço pelo resultado final, preço este que pode ser um grande esforço, uma contínua perseverança, talvez um alto valor em dinheiro. Os verdadeiros empreendedores conhecem bem essa atitude motivacional, pois freqüentemente arriscam tudo o que tem por aquilo em que acreditam, porque tem fé no resultado final (não me refiro aos riscos que corre uma pessoa inconseqüente e imatura).

 

O carvoeiro enaltecido.

Um elogio, um prêmio ou um reconhecimento também podem funcionar como elementos de grande motivação.

 

Certa ocasião prestei consultoria para uma grande companhia siderúrgica, de capital majoritariamente alemão, em Minas Gerais. Era um trabalho na área de produtividade e desenvolvimento de sistemas gerenciais. Entrevistei dezenas de pessoas, do topo da pirâmide hierárquica até a base operacional.

A entrevista que muito me impressionou foi a que eu tive com um dos carvoeiros, cuja função é levar carvão para alimentar os altos-fornos da siderúrgica. É um trabalho braçal  desgastante, e o uniforme desse pessoal, que é cinza, fica literalmente preto ao final da jornada de trabalho.

 

Perguntei ao carvoeiro: “No seu trabalho o que você destaca de maior valor para você, aqui na siderúrgica?” pensando que ele fosse enfatizar a estabilidade no emprego, ou algum aspecto de assistência e benefícios que a empresa propiciava.

 

Para minha surpresa ele respondeu: “O maior momento que eu vivi até hoje aqui na siderúrgica foi quando eu, e mais quatro companheiros, fomos elogiados publicamente pelo presidente da empresa, perante trezentos colegas.”

 

“Como foi que aconteceu?” perguntei.

 

“Estávamos na véspera de um feriado prolongado”, contou ele. “Tínhamos terminado o nosso turno, e já estávamos sendo substituídos pelo pessoal do próximo turno, quando o superintendente, aflito, veio até nós e perguntou se poderíamos continuar a trabalhar por mais um período de 8 horas. Havia chegado um pedido urgente de grandes proporções e não havia como localizar os outros colegas devido ao feriado e a siderúrgica estava sujeita a perder a encomenda.”

 

“Mesmo cansados eu e os 4 companheiros concordamos em ajudar e ficamos carregando carvão madrugada a dentro, até todos as peças ficarem prontas.”

 

“Como é que vocês aguentaram isso?” perguntei.

 

“Nem nós sabemos”, respondeu ele. “Estávamos exaustos e fomos para casa dormir, dispensados do nosso próximo turno. Quando voltamos a trabalhar, o presidente da siderúrgica (que era estrangeiro e havia acabado de voltar de uma viagem à Alemanha) chamou a nós cinco num salão e, perante centenas de pessoas, elogiou o nosso esforço e dedicação e, sensibilizado, agradeceu pela colaboração.”

 

“Como você se sentiu?”, perguntei.

 

“Fiquei sem palavras”, respondeu o carvoeiro. “Nunca imaginei isso. Foi a primeira vez em  minha vida que isso aconteceu comigo e jamais esquecerei este acontecimento”, arrematou.

                                                                                                                                                 

Eis um fato tocante e talvez, para muitos, inusitado, imaginando que uma pessoa simples como ele não se importasse com elogios e reconhecimento, e que estaria pensando exclusivamente no pagamento da hora extra. E este não foi o único caso, pois, como consultor, testemunhei vários episódios semelhantes em outras empresas por onde passei, tendo humildes operários como exemplos de dedicação e comprometimento.

 

Você gostaria de ser enaltecido pelo Rei do Universo?

E se em vez de um presidente de empresa o rei do universo o elogiasse e o glorificasse? O que diria você?

 

“Ah não, isto é somente para alguns privilegiados”, alguém poderia dizer. “Como Deus vai me enaltecer?”. Deus lá em cima e eu aqui embaixo, na terra”, é como a maioria pensa.

A boa notícia, no entanto, é que isso já aconteceu, e há muito tempo. Deus já nos enalteceu e proclamou a todos nós vencedores.

 

“Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro (num alto refúgio), porque conheceu o meu nome (o do  Deus Onipotente). Ele me invocará, e eu lhe responderei (socorrerei); estarei com ele na angústia; livra-lo-ei e o glorificarei.” Salmos 91.14 e 15. O salmista – rei Davi -, está se referindo a nós, seres humanos, nesse versículo.

 

É uma promessa bíblica de proteção, de livramento e de glorificação Divina, logo terá que ser verdade em nossas vidas diárias, pois “Deus não é homem, para que minta” (Números 23.19) diz tacitamente a Palavra.

Entretanto para que isso ocorra precisamos cumprir a primeira regra acima descrita: amá-lo encarecidamente. Ou por outra, estar em Sua Presença e aceitá-lo como nosso guia infalível em todos os momentos de nossa existência.

 

A propósito, quando você levanta pela manhã e se olha no espelho, gosta do que vê? Como está sua fisionomia? Sorridente, alegre, tranquila? Ou talvez taciturna, sombria, preocupada? A sua motivação está “a mil” ou com sabor e cheiro de desencanto e aborrecimento?

 

A sua atitude e aparência matinal dizem muito do seu real estado de espírito. “Sendo, pois, o teu olho simples (bom, puro), também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau (sombrio, preocupado), também todo o teu corpo será tenebroso.” Lucas 11.34.

O olho aqui é visto como a lente da alma e reflete toda orientação da vida interior de alguém. Está associado aos princípios e valores de vida que cada um manifesta em sua vida, molas propulsoras da motivação e do entusiasmo. A palavra entusiasmo vem do grego “enteos” e significa literalmente “Deus dentro de si”, isto é, o vigor e a benção do Senhor habitando em nós.

                                                                                                                                                    

A lei da semeadura

“Tudo o que o homem semear, isso também ceifará (colherá).” Gálatas 6.7b.

 Então pergunte-se: “O que eu tenho semeado em minha vida e que agora estou colhendo?” A resposta está no tipo e na qualidade vida que leva agora. É só olhar para si mesmo. Está hoje melhor do que há cinco ou dez anos? Em que área está melhor? Financeira, conjugal, profissional, psicológica, na saúde? A melhor resposta é dizer que está melhor em todas as áreas e não apenas em uma ou duas delas.

 

Pode ser que esteja pior do que há alguns anos, e isto é bem mais problemático. Então o que tem plantado? “Porque semearam ventos, segarão (colherão) tormentas”. Oséias 8.7a

Ou como já mencionei em outro capítulo: Quem semeia ventos colhe tempestades.

 

Pergunta n° 1: O que leva a cada um de nós a viver do jeito que vivemos?

Resposta: Nossos interesses e motivações.

 

Pergunta n° 2: O que motiva mais do que tudo ao ser humano?

Resposta: A busca da felicidade e da segurança. Para uns felicidade e segurança significa dinheiro, para outros um bom emprego, para outros ter paz de espírito, ou ter saúde, viajar etc.

 

Já se perguntou o que realmente o motiva na vida? Cristo conhecia bem o poder da motivação, por isso mesmo afirmou: “Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.” Lucas 12.34.

Ou seja, aquilo a que você der o maior valor (o tesouro), aquilo também o motivará, fará você lutar (o coração). A propósito, como você usa ou gasta o dinheiro que ganha? Como você gasta e onde você gasta o seu dinheiro diz muito sobre você mesmo, sobre seus valores e princípios. Pessoas há que não sabem utilizar o dinheiro com sabedoria. Quanto mais ganham mais investem em sua infelicidade, pois semeiam com ele problemas e infortúnios em vez de transformá-lo em bênçãos para si e para os outros. Eis uma estória real que ilustra isso.

 

O jardineiro feliz

Eurides é o senhor que trata do jardim da minha casa há vários anos. Por ser um jardim grande e para poder agilizar o serviço, ele normalmente vem com um ajudante, que nem sempre é o mesmo.

 

Certa ocasião, cedo da manhã, ele apareceu com um ajudante, um senhor de uns 55 anos, chamado Gerson (não é o seu nome verdadeiro). Ao cumprimentá-lo, percebi logo que ele tinha um comportamento e um linguajar bem diferente dos jardineiros, que em sua grande maioria são pessoas de origem humilde. Gerson falava um português correto utilizando termos peculiares de pessoas com muito estudo e uma conduta característica de quem já havia comandando pessoas, o que foi fácil identificar, pois como consultor, eu lido muito com executivos e supervisores.

 

Eu tinha levado o meu filho ao colégio e havia retornado para casa. Coloquei o carro na garagem enquanto ouvia uma música gospel no rádio.

Esse senhor ao ouvir a melodia perguntou-me se eu era cristão. Respondi que sim e indaguei se ele acreditava em Deus, ao que ele respondeu afirmativamente, com muita convicção. Ao saber que eu era consultor organizacional e que o meu trabalho me fazia viajar constante-mente, Gerson disse-me, sempre num português impecável, que ele também já tivera uma profissão que o obrigava a viajar muito.

 

Nessa altura deu-me um “comichão”, e a minha tradicional curiosidade de consultor irrompeu como sempre. Resolvi aprofundar o assunto e perguntei-lhe que profissão foi essa.

“Fui supervisor técnico de uma grande empreiteira que prestava serviços para empresas petrolíferas, e também para países do Oriente Médio”, respondeu-me ele. “Fiz muitos trabalhos para a Petrobras e para alguns países árabes. Em virtude disso morei na Europa e no Oriente

Médio por alguns anos”, concluiu.

 

Como eu conheço muito bem a Petrobras, pois há quase 20 anos ela é  minha cliente, na continuação da conversa vi que ele realmente dominava o assunto em questão, e conhecia bem as empresas do ramo, com as quais também estou familiarizado.

 

“Eu viajava muito”, continuou ele. “Quando morei na Europa, nós, supervisores técnicos, costumávamos brincar dizendo que, de manhã tomávamos café em Paris, ao meio dia almoçávamos em Hamburgo e a noite jantávamos em Londres. Foi um período fantástico embora extremamente difícil pois o trabalho exigia muito de nós. Mas compensava porque eu ganhava altíssimo salário e me hospedava nos melhores hotéis e usufruía de muitas mordomias.”

 

Novamente o “comichão” do consultor entrou em cena, e perguntei-lhe: “Sem querer ofendê-lo, mas se o senhor teve esse passado de êxito, porque não mais exerce a profissão, e hoje está aqui, tratando do meu jardim?”

 

“Meu problema é que eu não soube lidar com todo esse sucesso”, respondeu-me ele. “Eu ganhava muito dinheiro e comecei a envolver-me com mulheres e  bebidas. Algum tempo depois eu já era alcoólatra e esbanjava meu dinheiro com prostitutas. Acabei abandonando minha esposa e como passei a trabalhar alcoolizado, fui advertido várias vezes pelo meu chefe. Entretanto eu não conseguia mais parar de beber. Como eu era um funcionário competente e a firma precisava de mim, ela internou-me em uma clínica de recuperação de alcoolizados.”

“Saí recuperado”, continuou Gerson. “Mas alguns meses depois mulheres e bebidas voltaram a fazer parte do cotidiano da minha vida. Acabei sendo demitido pela empresa e tive de voltar ao Brasil em situação física e emocional deplorável. Sentia-me totalmente derrotado e sem rumo”.

 

“Como o senhor saiu dessa situação?”, perguntei-lhe.

 

“Levado por amigos, passei a freqüentar a AAA, Associação dos Alcoólicos Anônimos”, disse-me ele, “e aos poucos e com muita dificuldade, consegui livrar-me do vício. Reconciliei-me com minha esposa e hoje vivemos felizes juntos. Reconheço que a AAA foi muito importante para minha recuperação, mas quem mais influiu para esse resultado indubitavelmente foi Deus, pois nele encontrei forças para superar todos os obstáculos. Sem a presença Dele em minha vida eu não teria conseguido.”

 

Como todo consultor que se preste, resolvi cutucá-lo e perguntei: “O senhor não sente saudades da antiga profissão, das viagens e do dinheiro que ganhava?”

 

“Nem de longe”, respondeu-me. “Não troco um só dia da paz e felicidade que gozo hoje, por todo o dinheiro e sucesso que tive no passado, porque hoje sei que eu não era feliz e vivia numa ilusão. Fui hipnotizado por aquela vida com mulheres e bebidas, mas Deus restaurou-me. Estive no inferno e voltei dele vivo. Minha vida agora é em Cristo. Graças a Deus gozo hoje de uma aposentadoria bem paga e não tenho falta de dinheiro.”

 

“Mas o senhor está trabalhando em minha casa, e é por dinheiro”, brinquei.

 

“Vou receber o que o Eurides (o jardineiro) me pagar, mas não é pelo dinheiro”, disse-me ele. “Trabalhar com plantas e flores e ouvir pássaros cantando nos jardins,  para mim é uma terapia impagável.”

 

A estória desse homem  fez-me lembrar da afirmação de Jesus:”Que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?” Marcos 8.36 e 37.

Ao seu modo Gerson ganhou o mundo do sucesso financeiro, do prestígio, do luxo, das

mulheres, mas pagou um preço alto por isso: a sua alma (seus valores). Mas ele também  foi resgatado, quando fez de Deus a sua âncora e salvação.

 

Infelizmente não poucos ainda vivem a ilusão que Gerson viveu, querendo conquistar o mundo a seu modo achando que o resultado final vale a pena. Será que vale mesmo? Faça essa pergunta a você mesmo: “Quanto vale a minha alma?” Se sua consciência não estiver cauterizada a resposta será rápida: “Ela não tem preço!” Nada no mundo justifica sufocar valores e princípios espirituais e éticos por um fugidio momento de glória terrestre. O preço mais tarde será terrível.

 

Mas os que caem nessa arapuca tem ainda uma solução: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem me recearei?” Salmos  27.1

Passar tempo constantemente com Deus resulta em uma mudança permanente na vida de cada pessoa, e uma garantia de que o sistema de valores do mundo não tem controle sobre nós. Essa blindagem espiritual é absolutamente necessária para atuar livre de laços e armadilhas comprometedoras e  viver em harmonia com Deus, com  a sociedade e consigo mesmo.

 

Gerson nunca mais voltou a trabalhar na minha casa. Perguntei ao Eurides porque ele havia sido dispensado e a resposta foi simples e direta: ”Ele trabalhava por lazer, não por necessidade. Eu preciso de alguém que trabalhe por necessidade, não por lazer.” 

 

 

Trecho extraído do livro O Maior Empreendedor do Mundo, de Ernesto Berg.

Reprodução autorizada desde que citada a autoria e a fonte.

 

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